16.3.11

A morte da música

as músicas rondam minha cabeça,
como algo conhecido que nunca ouvi,
um som familiar que eu não sei distinguir,
algo inédito direto da minha infância.
Quando criança ouvia Beatles,
hoje não sei mais o que é,
apenas tons vindos de algum lugar.
E eu que desacostumei a escutar,
me vejo obrigado a tentar.


Dádiva da vida,
deixa eu ouvir a tua voz
cantando uma canção divina,
lembrando da vida veloz

Aquela que eu quase perdi,
em um triste acidente,
e o que eu nunca mais ouvi
ficou-se na curva a frente.

Mas agora as músicas rondam em minha cabeça,
como algo conhecido que nunca (mais) ouvi,
um som familiar que eu não sei (mais) distinguir,
algo inédito de minha infância.
Quando criança ouvia Mutantes,
achei que nada mais seria como antes...
Mas tons vindos de algum lugar
e eu que me desacostumei a escutar,
me vejo obrigado a tentar.

Dádiva da vida,
eu me reinvento agora,
ao som de uma canção divina,
entoada numa única nota.

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